Para sobreviver na mata após queda de avião no Mato Grosso, pilotos beberam até urina, revela esposa de Vilhenense
Parentes dos pilotos que sofreram um acidente aéreo e foram resgatados na mata, na terça-feira (4), relataram como os dois sobreviveram aos quatro dias perdidos na região da Serra de Mangaval, nas proximidades de Cáceres, no Mato Grosso.
 
“Eles chegaram a tomar xixi para sobreviver”, contou Francismara de Sousa, esposa do vilhenense Balestrin. Ele e o também piloto John Venera se acidentaram na noite de sexta-feira (30).
 
Os dois haviam saído de Pimenta Buenoem direção a Cuiabá (MT), mas o Cessna 182P em que estavam perdeu o contato com o controle aéreo quando faltavam 120 km para chegar à Capital matogrossense.
 
Os dois foram resgatados no fim da tarde desta terça-feira (4) por uma equipe da Força Aérea Brasileira (FAB).

À esposa, Balestrin relatou que ele e o colega sobreviveram no entorno do avião comendo apenas barrinhas de cereais e bolachas, tomando água da chuva e até urina.
 
“O Marcelo, por estar com a boca machucada, não conseguiu comer nada durante esses dias. O John havia levado bolachinhas e barrinhas de cereal. O meu marido me contou que eles tomaram 1,5 litro de água que tinham levado, outro 1,5 litro que eles captaram da chuva e mais ou menos 1,5 litro de xixi”, relatou a esposa.
 
O pai de um dos pilotos, Sebastião Venera, revelou que é hábito do filho sempre levar "snacks" para as viagens. 
 
“Sempre quando viaja, ele leva umas barras de cereais. Ele foi economizando e comeram o que ele tinha lá. Não tinha água, passaram um pouquinho de sede. Mas conseguiram vencer”, contou.
 
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra a situação em que o avião ficou após a queda e parte do resgate (veja aqui).
 
No dia do acidente, o tempo estava chuvoso. Segundo relatos, a visibilidade estava ruim no momento, o piloto perdeu o contato com a base, e logo em seguida o controle da aeronave. 
 
Marcelo contou à esposa que quase perdeu as esperanças. “Quando o helicóptero sobrevoou, eles acionaram um equipamento para sinalizar que eles estavam no local, mas o helicópteros passou reto. Ele disse que falou pro John: ‘Oh, John, não foi dessa vez’. Foi quando o helicóptero voltou e os resgatou”.
 
A dupla foi encontrada com desidratação, desnutrição e fraturas graves. John teve diversas escoriações e duas fraturas graves na perna: uma no tornozelo e outra no fêmur. 
 
Já Marcelo teve um quadro mais complicado. Segundo Francismara, o marido fraturou a perna esquerda, deslocou o maxilar e um osso da face foi quebrado. Com a queda, ele bateu o rosto e fez um machucado profundo na face e no braço direito.
 
Após o resgate, Marcelo e John foram encaminhados para o Pronto-Socorro de Cuiabá para os primeiros socorros. Ainda na noite de terça-feira, eles foram transferidos para o Hospital Santa Rosa, onde passaram por procedimentos cirúrgicos.
 
“O John foi o primeiro a entrar no centro cirúrgico. O machucado do Marcelo estava infeccionado. Eles preferiram iniciar pelo John. O Marcelo entrou no centro cirúrgico na madrugada de hoje e fez uma cirurgia que durou cinco horas”, disse a esposa.
 
Eles estão Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Rosa para serem melhor assistidos. E devem ir para o quarto ainda nesta quinta-feira (6).
  
O SUMIÇO
 Os dois pilotos decolaram de Pimenta Bueno na sexta-feira e deveriam chegar no mesmo dia a Cuiabá. No entanto, não chegaram na hora prevista e nem mantiveram contato.
 
As buscas aos dois começaram no dia seguinte, mas foram prejudicadas pelo mau tempo na Serra do Mangaval. Com a melhora nas condições climáticas, as equipes tiveram mais visibilidade para o resgate.
 
Este é o segundo caso de ocupantes de aeronaves acidentadas resgatados com vida na mata em Mato Grosso em menos de um mês. Em novembro, o piloto Maicon Esteves também passou quatro dias perdido depois de sofrer um acidente aéreo no norte do Estado. Com queimaduras graves, ele segue internado.