Cidades
Jovem vira intérprete de Libras após se apaixonar e casar com rapaz surdo em Porto Velho
História do casal começou em 2011 em praça de Porto Velho.

Por G1/RO
Publicado 12/06/2019
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Foto: Rede Amazônica/Reprodução

As diferenças nas vidas de uma ouvinte e um surdo não foram capazes de impedir que o amor se manifestasse entre Jacqueline Graziela e Rafael Guimarães. Em 2011, Graziela, com 16 anos, se interessou em aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) através de uma amiga de escola. Mal sabia ela, que esse seria um caminho para ela viver um grande amor.

A promotora de produtos lembra que ficou sabendo de surdos que costumavam ficar na Praça do Baú, no Centro de Porto Velho, e foi ao local para praticar o que estava aprendendo. Lá ela encontrou Rafael, que é surdo, e a partir daí passaram a trocar e-mail.

Dias depois, interessado na nova amiga, Rafael enviou convite em um chat online. Não demorou muito tempo para que ele pedisse a mão de Graziela em namoro. Na ocasião, um amigo de Rafael foi junto para ser intérprete das intenções dele perante aos pais da moça.

Alguns meses se passaram após o namoro ser oficializado e Graziela engravidou. Com o filho a caminho, eles foram morar juntos e ela pôde então aprender e praticar Libras, como tanto queria.

“Essa minha amiga me deu uma apostila e eu olhava todo dia para os sinais e aprendia. Primeiramente eu aprendi o alfabeto porque eu podia soletrar as palavras e ele poderia me mostrar o sinal. Até hoje, depois de 8 anos, eu ainda aprendo muito com ele”.

Ela revela que já passou alguns apuros com o esposo por tentar traduzir algumas gírias da Língua Portuguesa na Libras.

Hoje, com 8 anos de casados, ela já é fluente na língua de sinais e trabalha também como intérprete em eventos.

“Durante esses 8 anos tivemos muitos altos e baixos durante nosso casamento, mas hoje reconheço e dou graças a Deus por colocá-lo em minha vida. Digo que ele é um propósito em minha vida”, diz.
No entanto, Graziela diz que não foi fácil no começo por conta da adaptação na convivência entre ouvinte e surdo. “O que importa é dentro, o sentimento. Foi bem difícil até me acostumar. Às vezes eu falava e esquecia que ele era surdo”, diz.

Filho ouvinte
O filho do casal é ouvinte. Vitor Hugo, de 6 anos, ainda está aprendendo a língua usada na comunicação dos pais. Graziela conta que ele já aprendeu “principalmente coisas de comer, shopping. Isso ele sabe”, brinca.

Rafael Dantas é tímido, mas concorda que as diferenças entre eles são irrelevantes quando o assunto é o amor. “Acho normal. Eu consigo me comunicar e interagir com ela. Ouvinte é diferente. Tenho que ter muita paciência com ela”, diz.

Rafael concorda que, quebrando qualquer preconceito, uma das maiores características do casal é o diálogo, responsável pela solidez da relação.

“É importante dialogar todos os dias. Pra evitar brigas, a gente tá sempre se comunicando. Em qualquer situação eu quero estar com ele até velhinha”, finaliza.

Fonte: G1/RO

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