Agronegócio
Canéfora amazônico ganha primeira Denominação de Origem
Selo traz nova oportunidade para a agricultura familiar na Amazônia

Por agrolink
Publicado 07/07/2021
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Foto: Rolim Notícias

Um café amazônico, produzido em Rondônia, conquistou a primeira Indicação Geográfica (IG), do tipo Denominação de Origem (DO), de café canéfora (robusta e conilon) sustentável do mundo. O reconhecimento foi atribuído pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e consolida a qualidade dos cafés da espécie Coffea canephora.

A IG Matas de Rondônia para Robustas Amazônicos reconhece e valoriza os cafés especiais desta região e traz nova oportunidade para a agricultura familiar na Amazônia. Coube à Embrapa documentar e justificar os aspectos que tornam o café e a região únicos e merecedores deste selo de origem. “Sabemos que a cafeicultura é formada de boas práticas agronômicas, história e ciência. Esse verdadeiro dossiê que subsidiou o pedido de reconhecimento retratou e documentou este conjunto de valores da cadeia de produção e transformação. Isso só foi possível graças a um trabalho de mais de quatro décadas que a Embrapa vem realizando, com a geração e transferência de soluções tecnológicas para a cafeicultura na Amazônia”, destaca o pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves. 

A Indicação Geográfica serve para designar produtos ou serviços, que tem características positivas únicas e indissociáveis dos fatores que compõem a sua origem. Para produtos agrícolas, estes fatores também são conhecidos como “terroir”. Uma mistura que leva em consideração clima, solo, genética e aspectos culturais da população envolvida no processo produtivo. 

A Denominação de Origem, é um processo ainda mais complexo, pois, além do saber fazer e seus aspectos culturais, leva em consideração que, o café e suas qualidades intrínsecas, têm uma relação direta com as características do terroir da região. Para a Denominação de Origem Matas de Rondônia, esta delimitação é formada por 15 municípios: Alta Floresta d’Oeste, Cacoal, São Miguel do Guaporé, Nova Brasilândia d’Oeste, Ministro Andreazza, Alto Alegre dos Parecis, Novo Horizonte do Oeste, Seringueiras, Alvorada d’Oeste, Rolim de Moura, Espigão d’Oeste, Santa Luzia d’Oeste, Primavera de Rondônia, São Felipe d’Oeste e Castanheiras. 

Na cafeicultura, as IGs não são exatamente uma novidade, existem casos de sucesso como o da Região do Cerrado de Minas que tem grãos com alto padrão de qualidade, mundialmente reconhecidos. Possui grande organização da cadeia e emprega tecnologias de ponta que tornam a cafeicultura dessa região eficiente e sustentável. Mas, apesar dos avanços, o Brasil ainda não é devidamente reconhecido pela diversidade e especialidades de suas regiões produtoras. Ainda é o país das commodities, sendo responsável por quase 40% do mercado mundial. Isso está para mudar, aos poucos estão aprendendo a valorizar e compreender que a singularidade da cafeicultura brasileira tem origem em sua pluralidade cultural, ambiental e genética. 

A cafeicultura na Amazônia é uma das mais emblemáticas do Brasil. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 2021, o Estado de Rondônia é o quinto maior produtor de café do país e o segundo da espécie canéfora. Com uma produção superior a 2,2 milhões de sacas de café, é responsável por 97% de todo o café produzido no Norte do País. Incrustada no interior do estado, a Região Matas de Rondônia é considerada o berço e a origem dos Robustas Amazônicos. 

Fonte: agrolink

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