Polícia
Babá é presa suspeita de ajudar a planejar morte da patroa para ficar com criança
Dois homens estão presos suspeitos de matar a mulher e queimar o corpo dela na fornalha de um laticínio.

Por G1 GO
Publicado 25/06/2020
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Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A Polícia Civil prendeu mais uma pessoa suspeita de elo com a morte de L. de O., de 40 anos, que foi vista pela última vez ao sair do aeroporto de Goiânia após uma viagem à Colômbia. C. de F. F., era babá da filha da vítima e, segundo a investigação, organizou a volta da patroa para o Brasil para que ela fosse assassinada, pois tinha interesse em ficar com a criança, de 4 anos.

A funcionária foi presa na terça-feira (23) na casa dela, em Pires do Rio, no sul de Goiás, e preferiu ficar em silêncio durante o depoimento. Além dela, dois homens estão detidos pelo crime.

A polícia concluiu que o empresário J. P. F., que teve um relacionamento extraconjugal com a vítima, contratou um amigo, R. R. F., para matá-la. Segundo as investigações, a mulher foi morta com uma pancada na cabeça e teve o corpo carbonizado em uma fornalha.

A defesa da babá e o empresário disse que a prisão dela é "claramente ilegal". Já em relação a ele, afirmou que a detenção foi feita com base em "versões contraditórias e completamente frágeis".

A defesa de do suspeito de executar a mulher, por sua vez, disse que está convicta da inocência do cliente.

Interesse na criança

De acordo com a polícia, babá era a "única pessoa que tinha contato direto com a vítima" e, por isto, organizou a volta dela da Colômbia para Goiás. O intuito dela, segundo o delegado Thiago Martimiano, que é responsável pelo caso, era ficar com a filha da vítima, fruto da relação com o empresário, pois já cuidava da criança.

"A babá tinha esse interesse de cuidar da filha da vítima. O plano de saúde da menina estava em nome da babá, ela ia na escola, agia como mãe. Então, nós não temos dúvida nenhuma que, de fato, o interesse  nisso tudo foi a criança", afirmou.

A corporação afirma ainda que ela negociou a passagem do suspeito de executar para a Colômbia - quando teria ido para tentar matar a mulher numa primeira ocasião.

Além disso, por ter contato com a família da vítima, ela atrapalhou as investigações, afirmando aos parentes que a vítima sequer havia voltado ao Brasil, "retardando o registro do desaparecimento", explicou o delegado.

Corpo carbonizado em fornalha

De acordo com as investigações, a mulher foi assassinada, teve o corpo carbonizado e jogado dentro da fornalha de um laticínio, pertencente ao empresário.

O suspeito de executar, que foi quem buscou a mulher no aeroporto, confirmou, em depoimento, que deu um golpe de marreta nela. Em seguida, ele parou o carro em um lixão, pois, segundo o delegado, havia combinado com empresário o que só levaria o corpo para o laticínio mais tarde, quando o expediente já tivesse sido encerrado.

Já no laticínio, conforme a polícia, ambos teriam carbonizado o corpo e abandonado as cinzas.

Nota da defesa do suspeito de executar a mulher:

A defesa de R., disse em nota que permanece convicto de sua inocência, reafirmando que em decorrência da carona após o desembarque da mulher no aeroporto, R., entregou L., viva para J. Por esta razão, recorrerá a instâncias superiores para impetrar o habeas corpus para ter devolvida a sua liberdade.

Nota da defesa da babá e do empresário:

O escritório SIFFERMANN & ROCHA ADVOGADOS ASSOCIADOS, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos.

De início, enfatizamos que a equipe SIFFERMANN & ROCHA ADVOGADOS ASSOCIADOS, atualmente, representa os investigados J.P.F e C.F.F. no caso que apura o desaparecimento de L. DE O.

Em decisão proferida em 22.06.2020, o Juízo da 1ª Vara Criminal dos Crimes Dolosos Contra a Vida converteu a prisão temporária de J.P.F para prisão preventiva, bem como decretou a prisão preventiva de C.F.F. (que até então permaneceu em liberdade durante toda a investigação).

A decisão em comento atende a pedido da autoridade policial titular da DEIC. Salienta-se que a medida se mostra descabida e desnecessária, pois, conforme o Delegado já veiculou a imprensa por diversas vezes, as investigações já foram concluídas e, inclusive, o Inquérito Policial foi remetido ao Poder Judiciário em 19.06.2020.

Em relação a investigada C.F.F a defesa enfatiza que sua prisão é claramente ilegal, uma vez que desde o princípio a investigada permaneceu em liberdade, colaborou com a polícia civil comparecendo em todos os atos solicitados, e, após a conclusão do inquérito, não se vislumbra qualquer elemento que possa justificar a medida extrema em seu desfavor.

Destaca-se que, por duas vezes, o Juízo competente NEGOU o pedido de decretação da prisão temporária de C.F.F. Causa, portanto, espanto o decreto de prisão preventiva em um contexto em que nada se alterou após a conclusão do inquérito.

Em relação ao J.P.F a defesa assevera que o suspeito é empresário respeitado no núcleo social em que convive, é um senhor de quase 60 anos, sem antecedentes, possui trabalho e residência fixos, e goza a presunção de inocência prevista na Constituição Federal.

Não fosse isso, conforme já informado por essa banca defensiva, J.P.F. foi ouvido por três vezes, sem a presença de advogado, sendo que, após a última oitiva realizada em 30.05.2020, fora constatado no investigado lesões visíveis (tal constatação foi feita pela Comissão de Direitos Humanos da OAB e laudo do IML).

Outrossim, o pedido de prisão preventiva dos investigados se baseia em declarações desencontradas de R.R.F que apresentou, no mínimo, 02 (duas) versões contraditórias e completamente frágeis.

Por fim, o escritório SIFFERMANN & ROCHA ADVOGADOS ASSOCIADOS informa que irá se pronunciar sobre detalhes do caso (por intermédio de coletiva e nota) a partir do dia 29.06.2020.

 

Foto: Polícia Civil/Divulgação
Foto: Polícia Civil/Divulgação

Fonte: G1 GO

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