Agronegócio
Açúcar: China não renova política de salvaguarda sobre importações
A expectativa do setor brasileiro é retomar os patamares de exportação observados antes da medida entrar em vigor; entenda

Por Canal Rural
Publicado 23/05/2020
A A
Foto: REUTERS/Sergio Moraes

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) avalia como uma conquista importante a não renovação da política de salvaguarda adotada pela China para a entrada de açúcar estrangeiro no país. A medida, que estava em vigor desde 2017, expirou nesta sexta-feira, 22, o que pode representar uma oportunidade para o setor ampliar a comercialização internacional em meio à crise causada pela Covid-19 no mercado interno.

A barreira comercial foi alvo de pedido de consulta na Organização Mundial de Comércio (OMC) pelo governo federal brasileiro, que passou a negociar a reversão do quadro. Isso permitiu um acordo entre os dois países, por meio do qual o Brasil concordou em não dar seguimento ao processo de abertura de painel na OMC mediante o compromisso chinês de não estender a salvaguarda após maio de 2020.

“Processos na OMC podem levar anos e ser custosos. A saída via diplomacia encontrada pelo governo brasileiro, em especial pelo Ministério de Relações Exteriores, com o apoio do Ministério da Agricultura e do Ministério da Economia, foi a melhor solução e fortalece as relações comerciais com este que é um importante mercado para o açúcar brasileiro”, avalia Eduardo Leão de Sousa, diretor-executivo da Unica.

A China estabelece uma cota de importação anual de 1,95 milhão de toneladas de açúcar com a tarifa de 15%. Volumes extracota, até 2017, tinham 50% de tributo. Com a salvaguarda, os volumes passaram a ser taxados em 95%, com uma progressão decrescente de 5% ano a ano até o final do prazo. Entre maio de 2019 e maio de 2020, a barreira estava em 85%.

Relembre

Até o início da salvaguarda, a China era o maior mercado para o açúcar brasileiro, com exportações que ultrapassavam 2,5 milhões de toneladas por ano. Em 2017/2018, com a política em vigor associada à exclusão de diversos países produtores e exportadores de açúcar da salvaguarda, o volume caiu para apenas 115 mil toneladas.

Em 2018/2019, a China resolveu estender o mecanismo para todos os países e o Brasil embarcou 890 mil toneladas para o país, acima do registrado no ciclo anterior, mas abaixo dos patamares do passado. O ciclo 2019/2020 encerrou-se com 1,3 milhão de toneladas de açúcar exportadas para a China.

“Esperamos que as exportações ao país voltem aos níveis próximos àqueles anteriores à salvaguarda, ampliando mercado aos produtores brasileiros e oferecendo aos consumidores chineses um açúcar mais barato e produzido de forma sustentável”, comenta Leão. Com o fim da salvaguarda, todo volume extracota volta a ser tributado em 50%.

Fonte: Canal Rural

China   Salvaguarda Adotada   Açúcar   Salvaguarda   toneladas   União   Industria   OMC   Açúcar Estrangeiro   Organização Mundial  

Mais em Agronegócio

Notificações

Se você gostou do nosso conteúdo, podemos lhe enviar notificações push sobre postagens selecionadas.