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Avanço do desmatamento deve levar Brasil a ter aumento nas emissões mesmo com paralisação de atividades na pandemia
Estudo do Observatório do Clima aponta que país contraria tendência mundial de baixa nas emissões em 2020. Ministério do Meio Ambiente criticou grupo responsável pelo levantamento.

Por G1
Publicado 21/05/2020
Atualizado 21/05/2020
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Foto: Getty Images via BBC

As emissões de gases de efeito estufa devem subir entre 10% e 20% no Brasil em 2020 em comparação com 2018, último ano de dados disponíveis. A análise feita pelo Observatório do Clima coloca o país na contramão de outras nações. A expectativa é de que a recessão causada pela pandemia de Covid-19 leve a uma queda de 6% na emissão destes gases no planeta neste ano.

A razão para que o Brasil contrarie a tendência mundial é o forte aumento no desmatamento da Amazônia, segunda nota técnica do Sistema de Estimativas de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima divulgada nesta quinta-feira (21).

De acordo com o documento, as emissões decorrentes do desmatamento serão 29% maiores em 2020 considerando a média dos últimos cinco anos nos meses de maio a julho. Esse aumento deve compensar a queda de emissões nos setores de energia e na produção industrial.

A organização estima que se o desmatamento em maio, junho e julho for semelhante ao do ano passado neste mesmo período, as emissões na Amazônia podem ser 51% maiores do que em 2018 – o desmatamento é calculado entre agosto de um ano e julho do ano seguinte.

O setor de transportes, afetado pela pandemia, principalmente nos transportes aéreo e no individual de passageiros, teve queda baixa de 1% nas emissões – o consumo de diesel no transporte de cargas teve aumento.

Em 2018, o Brasil emitiu 1,9 bilhão de toneladas brutas de CO2. A expectativa é de que as emissões em 2020 fiquem entre 2,1 bilhões e 2,3 bilhões de toneladas brutas, a depender do avanço do desmatamento na Amazônia.

“O efeito da pandemia é redução das emissões no mundo inteiro. Mas, no Brasil, temos a maior parte das emissões vinculadas a mudanças do uso da terra, que estão descoladas da Covid-19”, explicou Tasso Azevedo, coordenador do Seeg.

As estimativas deste ano afastam o Brasil do cumprimento de metas da Política Nacional de Mudança do Clima, que prevê números decrescentes para 2020, e do Acordo de Paris, que prevê a emissão de 1,3 bilhão de toneladas brutas de CO2 para 2025.

“A aceleração do desmatamento e das emissões decorre diretamente das ações do governo Bolsonaro de desmontar os planos de controle, por um lado, e estimular o crime ambiental, por outro. O Brasil se tornou uma ameaça ao Acordo de Paris, num momento em que precisamos mais do que nunca avançar na estabilização do clima, para evitar uma outra grave crise de proporções mundiais”, completou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente não rebateu os dados do desmatamento, mas criticou o grupo responsável pela estimativa.

“Essa entidade e seus membros não tem postura construtiva. Sobrevivem do alarmismo e de angariar fundos para falar mal do Brasil aqui e no exterior”, afirmou o ministério.

Fonte: G1

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